Pesquisador do PPGFSC-UFSC participa de novo levantamento internacional para investigar o centro da Via Láctea

13/03/2026 09:44

Participantes do 1st KMOS VVVX–GalCen Spectroscopic Survey Workshop, realizado em dezembro de 2025 no Instituto de Astrofísica da Universidad Andrés Bello (Chile). O encontro reuniu o time científico envolvido nos surveys VVV/VVVX e no planejamento do novo levantamento espectroscópico com o instrumento KMOS no Very Large Telescope (VLT). Crédito: Dante Minniti

Astrônomos iniciaram esta semana as primeiras observações de um novo grande levantamento internacional chamado KMOS VVVX-GalCen Spectroscopic Survey, que irá investigar dezenas de milhares de objetos na região central da Via Láctea. O projeto conta com a participação do pesquisador Roberto K. Saito, professor do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), única instituição brasileira presente na equipe principal do levantamento.

As observações são realizadas no Very Large Telescope (VLT), um dos observatórios ópticos mais avançados do mundo, localizado no Observatório de Cerro Paranal, no deserto do Atacama, no norte do Chile. O telescópio é operado pelo Observatório Europeu do Sul (ESO).

O KMOS VVVX-GalCen é o primeiro grande survey espectroscópico liderado a partir do Chile, e foi selecionado pelo ESO como um de apenas dois grandes programas que utilizarão o instrumento KMOS (K-band Multi Object Spectrograph) ao longo dos próximos três anos. No total, o projeto recebeu 140 noites de observação, o que corresponde a um investimento científico estimado em cerca de 8 milhões de dólares em tempo de telescópio.

O projeto é liderado pelos astrônomos Matías Gómez, da Universidad Andrés Bello (Chile), e Francisco Nogueras-Lara, do Instituto de Astrofísica de Andalucía (Espanha). Saito integra o grupo central de pesquisadores do levantamento e atua como responsável por uma das áreas científicas do projeto.

“A primeira noite de observações no Paranal foi acompanhada de forma remota e ocorreu sem problemas. Agora começa a etapa de análise dos primeiros espectros”, explica o pesquisador.

Os alvos observados foram selecionados a partir de dois levantamentos anteriores muito bem-sucedidos: o VVV/VVVX, que mapeou grande parte da Via Láctea em luz infravermelha ao longo da última década, e o GALACTICNUCLEUS, um survey de alta resolução das regiões mais internas da nossa galáxia. O novo survey irá obter espectros, técnica que permite decompor a luz dos objetos celestes e revelar propriedades como composição química, temperatura e velocidade.

Entre os principais objetivos científicos estão o estudo de planetas errantes que vagam livremente pelo espaço, aglomerados estelares escondidos pela poeira da galáxia, regiões de formação estelar e galáxias distantes escondidas atrás do plano da Via Láctea. No futuro, o survey também deverá incluir observações espectroscópicas de objetos identificados pelo Legacy Survey of Space and Time (LSST), ampliando as possibilidades científicas do projeto.

Saiba mais no site do projeto.

Camundongos criam mapas mentais, como humanos, revela estudo integrado pelo professor Maurício do PPGFSC

24/03/2025 12:00
Camundongos

Camundongos testados pelo estudo foram capazes de criar mapas mentais sem utilizar referências visuais. Foto: Reprodução/Getty Images

Você já tentou andar no escuro e, mesmo sem enxergar, conseguiu se localizar? Isso acontece porque o cérebro humano é capaz de calcular onde estamos com base nos nossos próprios movimentos, sem depender de pontos de referência visuais, como placas ou prédios.

Um estudo integrado pelo professor Maurício Girardi-Schappo do Laboratório de Neurofísica, do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), revelou, por meio de testes experimentais, que, assim como os humanos, os camundongos são capazes de criar mapas mentais sem utilizar referências visuais.

Segundo o periódico internacional da área de biologia eLife, em que a pesquisa foi publicada em novembro de 2024, o registro da capacidade dos animais de construir mapas cognitivos é “algo raramente, ou nunca, relatado fora da literatura sobre seres humanos”. A revista ainda classificou o trabalho como “fundamental” para o avanço de campos como biologia, neurociência e psicologia cognitiva.

O estudo foi desenvolvido em colaboração com pesquisadores Leonard Maler, André Longtin e Jean-Claude Béïque, e com a aluna de doutorado Jiayun Xu, do Center for Neural Dynamics and Artificial Intelligence da Universidade de Ottawa, no Canadá.

Segundo o professor Schappo, a descoberta contribui para a quebra da premissa de que os humanos ocupam uma “uma posição privilegiada” tanto dentro do universo, quanto dentre as diferentes espécies de animais. “Há séculos, a ciência vem desconstruindo essa ideia, mas nas últimas décadas começamos a ter melhores ferramentas para desconstruí-la”, diz.

Saiba mais.

Tags: colaboração internacionallaboratório de neurofísicamapa cognitivomauricio girardi-schapponeurociêncianeurophysics lab

Átomos gigantes podem ser a base de sensores quânticos mais refinados

18/03/2025 07:52

O Prof. Dr. Jorge Massayuki Kondo, docente permanente do programa de Pós-Graduação em Física da UFSC, publicou recentemente um artigo de grande impacto na renomada revista “Physical Review A”. O PPGFSC parabeniza o professor Jorge Massayuki Kondo pela relevante contribuição. Abaixo, segue um resumo do texto “Átomos gigantes podem ser a base de sensores quânticos mais refinados” de Danilo Albergaria, da Revista Pesquisa FAPESP.

Um estudo conduzido por físicos brasileiros trouxe evidências de uma possível interação quântica inédita que pode estar envolvida na formação dos átomos de Rydberg, versões superexcitadas e ampliadas dos átomos comuns. Esses átomos, que podem ser até mil vezes maiores que os convencionais, possuem elétrons externos altamente sensíveis a campos elétricos e magnéticos, tornando-se promissores para o desenvolvimento de sensores avançados em tecnologias quânticas, como computação e telecomunicações. A pesquisa sugere que um único fóton pode transferir energia para mais de um átomo simultaneamente, um fenômeno que desafia a visão clássica das interações eletromagnéticas.

Nos experimentos realizados no Instituto de Física de São Carlos da USP, átomos de rubídio foram submetidos a um feixe de laser e a um campo de micro-ondas dentro de uma cavidade a vácuo. O laser resfriou os átomos até temperaturas próximas ao zero absoluto, reduzindo seu movimento e permitindo que parte deles fosse aprisionada em uma região específica. À medida que os átomos absorviam energia e transitavam para o estado de Rydberg, deixavam uma assinatura espectral que foi registrada e analisada. Os pesquisadores, em colaboração com físicos estrangeiros, adaptaram um modelo teórico para descrever esse processo, confirmando que os átomos e o campo eletromagnético formavam uma excitação coletiva, um estado quanticamente emaranhado.

Os átomos de Rydberg são conhecidos desde o século XIX e vêm sendo estudados em laboratório desde os anos 1970, com avanços significativos a partir da década de 1980. Sua alta sensibilidade os tornou fundamentais para o desenvolvimento de dispositivos quânticos, como emissores e receptores de comunicação avançada. Empresas como a Rydberg Technologies já exploram suas propriedades para criar novas tecnologias baseadas na manipulação quântica desses átomos. O estudo liderado pelo Prof. Dr. Jorge Massayuki Kondo reforça a importância dessas pesquisas e sugere que os efeitos extremos observados podem levar à criação de sensores ainda mais sofisticados para aplicações científicas e industriais.

Artigo científico KONDO, J.D. M. et al. Multiphoton-dressed Rydberg excitations in a microwave cavity with ultracold Rb atoms. Physical Review A. 2 dez. 2024

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o texto original aqui.

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